quinta-feira, abril 26, 2007




Melancolia

A melancolia tem me acompanhado
e eu já não a quero mais.
Tento me livrar dela,
afastá-la para longe de mim,
mas cada vez mais a sinto por perto.
O que fazer para tornar meus dias mais alegres,
mais coloridos?
Acordo todos os dias
e não vejo as cores.
Onde estarão elas?

Clécia Melo

sábado, abril 21, 2007

Jean Valjean

S I N O P S E
Após cumprir 19 anos de prisão com trabalhos forçados por ter roubado comida, Jean Valjean (Liam Neeson) é acolhido por um gentil bispo (Peter Vaughan), que lhe dá comida e abrigo. Mas havia tanto rancor na sua alma que no meio da noite ele rouba a prataria e agride seu benfeitor, mas quando Valjean é preso pela polícia com toda aquela prata ele é levado até o bispo, que confirma a história de lhe ter dado a prataria e ainda pergunta por qual motivo ele esqueceu os castiçais, que devem valer pelo menos dois mil francos. Este gesto extremamente nobre do religioso devolve a fé que aquele homem amargurado tinha perdido. Após nove anos ele se torna prefeito e principal empresário em uma pequena cidade, mas sua paz acaba quando Javert (Geoffrey Rush), um guarda da prisão que segue a lei inflexivelmente, tem praticamente certeza de que o prefeito é o ex-prisioneiro que nunca se apresentou para cumprir as exigências do livramento condicional. A penalidade para esta falta é prisão perpétua, mas ele não consegue provar que o prefeito e Jean Valjean são a mesma pessoa. Neste meio tempo uma das empregadas de Valjean (que tem uma filha que é cuidada por terceiros) é despedida, se vê obrigada a se prostituir e é presa. Seu ex-patrão descobre o que acontecera, usa sua autoridade para libertá-la e a acolhe em sua casa, pois ela está muito doente. Sentindo que ela pode morrer ele promete cuidar da filha, mas antes de pegar a criança sente-se obrigado a revelar sua identidade para evitar que um prisioneiro, que acreditavam ser ele, não fosse preso no seu lugar. Deste momento em diante Javert volta a persegui-lo, a mãe da menina morre mas sua filha é resgatada por Valjean, que foge com a menina enquanto é perseguido através dos anos pelo implacável Javert. http://adorocinema.cidadeinternet.com.br
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Considerações de uma humilde leitora
A primeira vez que tive contato com esse nome foi pelo filme "Os Miseráveis" de Victor Hugo. Apaixonei-me pela história e corri atrás do livro homonônimo. Conclui que, se o filme era bom, imagine o livro. E não me enganei. O livro é simplesmente esplêndido! Levei alguns meses para terminar sua leitura, visto que são dois grossos volumes de 511 e 765 páginas respectivamente. Certas páginas pareciam-me enfadonhas por conta de relatos históricos de guerra, descrições minuciosas da cidade de Paris, mas as dissertações do Victor Hugo a respeito da miséria humana são sublimes.

O título da obra deveria chamar-se Jean Valjean. Apesar de não ser o único personagem, outros tantos aparecem e com grande importância, mas a história está toda centrada em Jean Valjean. A grandeza deste é inexplicável. Um homem que sofreu em toda a sua vida por ter roubado um simples pedaço de pão. Condenado a uma vida miserável por causa desse ato, mas que manteve a sua integridade apesar de todos os dissabores. Jean Valjean tornou-se para mim um personagem inesquecível.
Acabei a leitura dessa obra há algumas horas e devo dizer que, as últimas páginas desta foram lidas em meio á lágrimas. Impossível não se comover com essa história. Jean Valjean foi um herói.

Recomendo a leitura dessa fascinante obra ou pelo menos veja o filme. Certamente depois de assisti-lo, irá desejar ler o livro.

sexta-feira, abril 13, 2007

O Beijo

Beijo Eterno

Quero um beijo sem fim,
Que dure a vida inteira
e aplaque meu desejo!
Ferve-me o sangue.
Acalma-o com teu beijo.
Beija-me assim!
O ouvido fecha ao rumor
Do mundo, e beija-me, querido!
Vive só para mim
só para a minha vida,
Só para meu amor!
Fora, repouse em paz
Dormida em calmo sono a calma natureza,
Ou se debata, das tormentas presas
-Beija ainda mais!
E, enquanto o brando calor
Sinto em meu peito o teu seio
Nossas bocas febris se unam com o mesmo anseio,
Com o mesmo ardente amor!

Suceda a treva a luz!
Vele a noite de crepe a curva do horizonte;
Em véus de opala a madrugada aponte
Nos céus azuis,
E Vênus, como uma flor,
Brilhe, a sorri, do ocaso a porta,
Brilhe a porta do Oriente!
A treva e a luz - que importa?
Só nos importa o amor!

Raive o Sol no Verão
Venha o outono!
do inverno os frígidos vapores
Toldem o céu! das aves e das flores
Venha a estação!
Que nos importa o esplendor
Da primavera, e o firmamento
Limpo, e o sol cintilante, e a neve, e a chuva, e o vento?
Beijemo-nos amor!
Beijemo-nos! Que o mar
Nossos beijos ouvindo, em pasmo a voz levante!
E cante o sol! A ave desperte e cante!
Cante o luar, Cheio de novo fulgor!
Cante a amplidão! Cante a floresta!
E a natureza toda, em delirante festa cante,
cante este amor!

Diz tua boca: "Vem!"
"Inda mais!", diz a minha, a soluçar ... Exclama
Todo meu corpo que o teu corpo chama:
"Morde também!"
Ai! Morde! Que doce é a dor
Que entra as carnes, e as tortura!
Beija mais! Morde mais! Que eu morra de ventura,
Morto por teu amor!


Quero um beijo sem fim,
Que dure a vida inteira e aplaque meu desejo!
Ferve-me o sangue. Acalma-me com teu beijo.
Beija-me assim!
O ouvido fecha ao rumor
Do mundo, e beija-me, querida!
Vive só para mim, só para a minha vida,
Só para meu amor!
Olavo Bilac

quarta-feira, abril 11, 2007

Busca da liberdade















Fernão Capelo Gaivota (Jonathan Livingston Seagull)



A maior parte das gaivotas não se querem incomodar a aprender mais que os rudimentos do vôo, como ir da costa à comida e voltar. Para a maior parte das gaivotas, o que importa não é saber voar, mas comer. Para esta gaivota, no entanto, o mais importante não era comer, mas voar.

Mais que tudo, Fernão Capelo Gaivota adorava voar. Como veio a descobrir, esta maneira de pensar não o fazia muito popular entre as outras aves. Até os próprios pais se sentiam desanimados ao verem que Fernão passava os dias sozinho, a experimentar, fazendo centenas de vôos rasos.

Não sabia porquê, mas, por exemplo, quando voava sobre a água a uma altitude inferior ao comprimento das suas asas abertas, conseguia manter-se no ar durante mais tempo e com menos esforço. Os seus vôos não acabavam com o habitual mergulhar de patas abertas no mar, mas com um pousar leve, de patas bem unidas ao corpo. Quando começou a pousar em pé sobre a praia e depois a medir o comprimento da aterragem, os pais ficaram deveras preocupados.

-Por quê? Fernão, por quê? - perguntava-lhe a mãe. - Por que não podes ser como o resto do bando? Por que não deixas os vôos rasos para os pelicanos e para o albatroz? Por que não comes? Filho, és só penas e osso!

- Não me importo de ser apenas ossos, mãe. Só quero saber aquilo que consigo fazer no ar, e o que não consigo, mais nada. Só quero saber.

-Ouve lá, Fernão - disse-lhe o pai com bondade. - O Inverno aproxima-se. Haverá poucos barcos, e o peixe das superfícies irá para zonas mais profundas. Essa história dos vôos está muito bem, mas sabes que não te podes alimentar disso. Se tens mesmo de estudar, então estuda a comida e a forma de a conseguir. Não te esqueças de que a razão por que voas é comer.

Fernão baixou a cabeça, obediente. Durante os dias seguintes tentou comportar-se como os outros: tentou mesmo a sério, disputando com o resto do bando a comida dos pontões e dos barcos de pesca, mergulhando para apanhar pedaços de peixe e pão. Mas não conseguiu.

“É tão inútil”, pensou, deixando cair deliberadamente uma anchova, que lhe custara bastante apanhar, aos pés de uma velha gaivota que o perseguia. Poderia ter passado todo este tempo a aprender a voar.

E há tanto para aprender!

Richard Bach


Li este livro há muitos anos. Eu era ainda uma adolescente e fiquei simplesmente fascinada com a beleza da mensagem contida nele. Tornei a lê-lo muitos anos depois e desta vez pude me fascinar ainda mais. Aprende-se tanto com o Fernão Capelo Gaivota! Encantamo-nos com a busca do Fernão pelo seu próprio crescimento. Fernão não é uma gaivota qualquer. Fernão, ou no original Jonathan Livingston, é uma gaivota que buscou algo mais. Uma gaivota que não se contentou apenas em ser mais uma. Ela queria aprender, crescer, chegar mais alto.

É o que todos deveríamos fazer. Ser como aquela gaivota que não queria apenas comer e voar. Ela queria ir mais além. Fernão queria aprender mais e mais. Queria ir em busca de seus sonhos, não importando quão distante estivesse, nem quantas críticas receberia. Aprender é viver.

Assim como a maioria das gaivotas do seu bando, nos acomodamos com o que querem que sejamos e aonde querem que cheguemos. Mas e nós queremos isso mesmo? Será que não desejamos ir para outro lado? Será que não desejamos “voar” mais alto? Será que não nos acomodamos demais? Deixamos o medo, o receio, a preguiça e nos contentamos apenas em viver por viver? Saibamos correr atrás da tão sonhada liberdade. A liberdade de aprender.

Aprendamos com o Fernão Capelo Gaivota a querer mais. Aprendamos a correr atrás do que desejamos, ainda que esse sonho se apresente tão distante para nós. Busquemos a liberdade de viver, de ser! Sem medo.

domingo, abril 08, 2007

Páscoa é...




Páscoa é ressurreição.


Ressurreição é :


Reflexão...


Mudança...


Recomeçar...

Páscoa é transformar...


Transformar uma vida,


antes sem esperança nem alegria,


em uma vida cheia de esperança


na busca da realização dos nossos sonhos.


É preciso recomeçar de novo,


e novamente e quantas vezes for necessário,


para que todos os nossos sonhos


sejam transformados em realidade.

Feliz Páscoa e recomeçar!







Amados amigos,

Hoje é um dia especial. Um dia de confraternização. Espero que a doçura da Páscoa se prolongue por toda a eternidade. Que Deus traga uma cesta de amor e felicidade. Que neste dia de Páscoa renasça a alegria da criança que existe em você. Que sejamos puros como ela e esqueçamos as maldades existentes no mundo, ainda que só por hoje. Que o milagre da vida encante seu coração e que a nossa amizade se renove!

Feliz Páscoa!
Texto adaptado de autoria anônima, retirado do site http://www.mensagensvirtuais.com.br

domingo, abril 01, 2007

E TUDO MUDOU


O rouge virou blush
O pó-de-arroz virou pó-compacto
O brilho virou gloss
O rímel virou máscara incolor
A Lycra virou stretch
Anabela virou plataforma
O corpete virou porta-seios
Que virou sutiã
Que virou lib
Que virou silicone
A peruca virou aplique, interlace, megahair, alongamento
A escova virou chapinha
“Problemas de moça” viraram TPM
Confete virou MM
A crise de nervos virou estresse
A chita virou viscose.
A purpurina virou gliter
A brilhantina virou mousse
Os halteres viraram bomba
A ergométrica virou spinning
A tanga virou fio dental
E o fio dental virou anti-séptico bucal
E ninguém mais vê…
Ping-Pong virou Babaloo
O a-la-carte virou self-service
A tristeza, depressão
O espaguete virou Miojo pronto
A paquera virou pegação
A gafieira virou dança de salão
O que era praça virou shopping
O long play virou CD
A fita de vídeo é DVD
O CD já é MP3
É um filho onde éramos seis
O álbum de fotos agora é mostrado por email
O namoro agora é virtual
A cantada virou torpedo
E do “não” não se tem medo
O break virou street
O samba, pagode
O carnaval de rua virou Sapucaí
O folclore brasileiro, halloween
Fortificante não é mais Biotônico
Folhetins são novelas de TV
Lobato virou Paulo Coelho
Caetano virou um chato
Chico sumiu da FM e TV
Baby se converteu
RPM desapareceu
Elis ressuscitou em Maria Rita?
Raul e Renato,
Cássia e Cazuza,
Lennon e Elvis,
Todos anjos
Agora só tocam lira…
A AIDS virou gripe
A bala antes encontrada agora é perdida
A violência está coisa maldita!
A maconha é calmante
O professor é agora o facilitador
As lições já não importam mais
A guerra superou a paz
E a sociedade ficou incapaz…
De tudo...

(Luís Fernando Veríssimo)


Recebi este texto por e-mail e ele me fez pensar. É interessante e ao mesmo tempo assustador como as coisas mudam. Mudam o tempo todo no mundo, como já dizia o Lulu Santos. Ontem mesmo estava observando meu sobrinho mais velho e fiquei pasma. Hoje ele tem 9 anos, mas aparenta ter uns 10. Continuando, me dei conta de quantos anos já se passaram desde o dia em que ele nasceu. Até “ontem” ele era um bebê e hoje quase um “rapaz”. Não que eu não saiba que o tempo não pára, mas a constatação de que ele é corre deixa-me mais impressionada. E fiquei pensando com meus botões (até comentei com minha irmã também) o que fiz durante esse tempo? Será que realmente aproveitei cada minuto? O tempo é cruel. Não pára. “Vamos viver tudo que há pra viver, vamos nos divertir.”

Mas a maior mudança que percebemos está dentro de nós. Voltando no tempo podemos descobrir que nossos sonhos de outrora ou mudaram ou ganharam nova roupagem. Ás vezes nos damos conta de que nem percebemos a nossa mudança. Levamos uma vida tão corrida, que nossos sonhos acabam se tornando segundo plano. Acredito que não esteja esquecido por completo, mas guardado dentro de nosso ser. Se olharmos para dentro de nós, veremos aquele sonho guardado em um cantinho do nosso cérebro ou mesmo do nosso coração. Depende do quão importante ele nos seja.

Paremos. Olhemos um pouco para dentro de nós e resgatemos o que está esquecido. Quem sabe não podemos ser mais felizes?

Uma semana maravilhosa para todos vocês!

sexta-feira, março 30, 2007

Em busca do amor


SEGREDOS

Eu procuro um amor
que ainda não encontrei
diferente de todos que amei

Nos seus olhos quero descobrir
uma razão para viver
e as feridas dessa vida
eu quero esquecer

Pode ser que eu (o)a encontre
numa fila de cinema
numa esquina
ou numa mesa de bar

Procuro um amor
que seja bom pra mim
Vou procurar
eu vou até o fim

E eu vou tratá-la(o) bem
pra que ela(ele) não tenha medo
quando começar a conhecer os meus segredos

Eu procuro um amor
uma razão para viver
E as feridas dessa vida
eu quero esquecer

Pode ser que eu gagueje
sem saber o que falar
mas eu disfarço
e não saio sem ela(ele) de lá

Frejat


Estava ouvindo esta música e gostei muito. Sua letra mostra um pouco do que sinto. Ansiedade por encontrar um novo amor. Alguém que ame e possa me amar de verdade. Espero que essa busca logo cesse e minha vida possa tornar-se um pouco mais colorida, pois no momento ela ganha tons cinzas.

sábado, março 17, 2007

Parabéns, Aracaju!





152 anos!



Te Amo Aracaju

Te quero

Sempre pra mim

Toda como mãe

Como mulher

Te quero bem

Mal, ninguém te quer

Por isso volto sempre

E te vejo

Te olho, te beijo

Sinto teu cheiro de caju

Te guardo aqui no peito forte

Te amo Aracaju

Te amo Aracaju

Manga, mangaba, mangue

Sabor umbu

Te amo Aracaju

Te amo Aracaju

A maresia é meu olho

Quando te vejo

A maresia é meu olho

Quando beijo

Lula Ribeiro (música) / Chico Pires (letra)


Hoje, 17 de março de 2007, minha querida Aracaju completa 152 anos! Não podia deixar de prestar minha homenagem a esta linda capital, cidade na qual nasci, cresci e aqui vivo até os dias atuais. Amo-te Aracaju!

Aos meus amigos, um maravilhoso fim de semana! Beijos!

quinta-feira, março 08, 2007

Alma da mulher

Nada mais contraditório do que ser mulher...
Mulher que pensa com o coração,
age pela emoção e vence pelo amor.
Que vive milhões de emoções num só dia
e transmite cada uma delas, num único olhar.
Que cobra de si a perfeição
e vive arrumando desculpas
para os erros daqueles a quem ama.
Que hospeda no ventre outras almas,
dá a luz e depois fica cega,
diante da beleza dos filhos que gerou.
Que dá as asas, ensina a voar
mas não quer ver partir os pássaros,
mesmo sabendo que eles não lhe pertencem.
Que se enfeita toda e perfuma o leito,
ainda que seu amor
nem perceba mais tais detalhes.
Que como uma feiticeira
transforma em luz e sorriso
as dores que sente na alma,
só pra ninguém notar.
E ainda tem que ser forte,
pra dar os ombros
para quem neles precise chorar.
Feliz do homem que por um dia
souber entender a Alma da Mulher!

Dentre as mensagens e felicitações que recebi neste dia 8 de Março, gostei desta em especial. Este texto coloca em palavras toda a essência de uma mulher e ainda há muito a se revelar. Acredito, sinceramente, que um homem nunca vai entender a alma feminina. Só sendo mulher para entender o turbilhão de emoções que nos cerca.

É verdade que dia da mulher é todos os dias, mas já que temos um dia especialmente dedicado a nós por que não comemorar e felicitar, não é mesmo? Sendo assim, FELIZ DIA DA MULHER a todas as minhas amigas e todas as mulheres que visitarem este blog.


sexta-feira, março 02, 2007

É impossível viver sozinho


Wave (Vou te contar) – Tom Jobim

Vou te contar os olhos já não podem ver
Coisas que só o coração pode entender
Fundamental é mesmo o amor
É impossível ser feliz sozinho
O resto é mar,
É tudo que eu nem sei contar
São coisas lindas que eu tenho pra te dar
Fundamental é mesmo o amor
É impossível ser feliz sozinho
Da primeira vez era a cidade
Da segunda o cais a eternidade,
Agora eu já sei
Da onda que se ergueu no mar
E das estrelas que esquecemos de contar
O mar se deixa surpreender
Enquanto a noite vem nos envolver
***************

É impossível ser feliz sozinho. Este verso da canção acima me chamou atenção hoje. Emocionou-me até. Uma dor tomou conta de mim e chorei. Chorei porque sei que há verdade presente neste verso. Cheguei a triste conclusão de que ninguém pode viver sozinho. A solidão machuca e torna um coração triste. Queria não me sentir sozinha. Infelizmente eu me sinto. Passei a vida à espera do amor verdadeiro. Alguém apareceu. Fez-me crer que era ele, mas a vida mais uma vez me mostrou que eu estava enganada. Será? Por quê? Tantas perguntas sem respostas. Por que não posso ser feliz? E continuo a esperar um outro alguém ou trazer de volta quem me tomou. Quem sabe um dia a vida vai me trazer o alguém que irá me completar e tirar-me o medo de estar sozinha. Enquanto isso o verso continua martelando-me “É impossível viver sozinho”.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Lição para o futuro



"É ocioso pensar sobre o justo e o injusto,
o certo e o errado e os feitos passados.
O útil é analisar, e se possível extrair
uma lição para o futuro."


Gandhi



O ser humano está sempre lembrando, relembrando. São lembranças boas e outras ruins, mas sempre se volta ao passado. Alguns mais e outros menos, mas volta e meia um acontecimento antigo nos vêm à mente. Alguns desses acontecimentos teimam em não sair da nossa mente. Outros passam anos e anos sem que nos lembremos. É quando de repente uma palavra, uma ação ou até mesmo um objeto leva nosso pensamento a um acontecimento remoto, como uma brincadeira de criança, um lugar, uma pessoa que nos marcou ou mesmo um fato triste. Certas lembranças são apenas flashs, mas outras insistem em nos perseguir durante todo o dia, semanas, meses e anos.

O que tirar de tudo isso? Vale apenas voltar no tempo? O que essas lembranças podem nos trazer? Tristeza ou alegria? Dor ou alívio? Não importa qual seja. Precisamos aprender a não só recordar, mas sim refletir para extrair uma lição. Certos acontecimentos precisam ser refletidos, analisados para que aprendamos. Não basta lembrar é preciso tirar uma lição para que o presente e o futuro seja melhor. Já diziam que quem vive de passado é museu, mas considero esse pensamento bastante radical. Afinal não podemos apagar o que vivemos. Não se vive SEM lembranças assim como não se vive apenas COM lembranças. Precisamos sim encontrar um equilíbrio. Lembrar é gostoso demais ou até dolorido dependendo do que seja, mas VIVER é isso. Aprendamos então com o passado para vivermos melhor o presente e o futuro.

* Tela de Pino Daeni "Thinking of you".

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

A dor de todos

O sofrimento de João Helio não pode ser em vão. Até quando vamos aguentar isso? Dá para entender tamanha barbárie? Como um ser humano é capaz de tanta crueldade? Ver um garoto de apenas 6 anos morrer de forma tão brutal e não esboçar nenhum sentimento? Que seres covardes são esses que flagelam uma criança desta forma? Não tem um coração, tem uma pedra no lugar. Vamos deixá-los impunes? À sociedade cabe lutar cada vez mais para medidas de segurança mais eficazes e punição de verdade para os criminosos. Não podemos nos trancar em casa enquanto eles ficam soltos liberados para cometerem mais crimes bárbaros.

"A miséria da condição humana é tal,que a dor é seu sentimento mais vivo."
Jean Lerond D'Alembert

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

O prisioneiro

Trouxeram-me a prisioneira ao interrogatório.

Recusei-me às perguntas porque as respostas estavam ao passado. Sequer o futuro se lhe indagou; que também recusou perguntar, quando os carrascos lhe disseram:

— Pergunte o que quiser.
Ela apenas balbuciou: — Eu sei.

Mentíamo-nos, porque jamais nos víramos.

Decretei a prisão imediata de todos os carrascos. Mantive a prisioneira sob algemas, que ninguém é louco de manter tesouro tão rico ao léu;

mas, prudência maior, soltei-lhe os braços e mudei as algemas
aos meus próprios pulsos.
Ela — os gestos diziam que me seriam sob afagos.

Deixei: apenas que os olhos, os cabelos úmidos:

— Os meus? Os dela?

Era o chamamento.

Soares Feitosa

Gostei muito deste poema. É diferente e profundo. É uma poema que precisa ser lido e relido para ser interpretado. E ainda tem um quê de mistério em seu verso final: "Era o chamamento". A partir daí cada um tira sua própria conclusão. Encantei-me com a total entrega ao amor. Alguém que abandonou todas as convenções em nome do amor. Será que existe alguém que tenha coragem para tanto?

terça-feira, fevereiro 06, 2007

O copo d'água

O velho Mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal em um copo d'água e bebesse.
- Qual é o gosto? - perguntou o Mestre.
- Ruim - disse o aprendiz.
O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse a um lago. Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago, então o velho disse:
- Beba um pouco dessa água. Enquanto a água escorria do queixo do jovem, o Mestre perguntou: - Qual é o gosto?
- Bom! - disse o rapaz.
- Você sente o gosto do "sal"? - perguntou o Mestre.
- Não. - disse o jovem.
O Mestre então sentou ao lado do jovem, pegou sua mão e disse:
- A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende do lugar onde a colocamos. Então quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer é aumentar o sentido das coisas. Deixe de ser um copo. Torne-se um lago...

Autoria desconhecida


Recebi este texto de uma amiga e fiquei pensando na mensagem contida nele. Como é verdade que a dor que uma pessoa sente não muda. Ela pode doer mais por um tempo e depois reduzir de intensidade ou até mesmo adormecer. Mas ela ficará como uma marca ou uma ferida. Algumas feridas são cicatrizáveis outras não. Mas a dor é algo que marca profundamente. Aqui independe de qual dor eu me refiro. Não importa. Seja ela qual for, ela sempre nos acompanha. Mas cabe a nós saber como viver. Como o mestre do texto acima nos diz "A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende do lugar onde a colocamos.". É verdade. Não podemos deixar de viver só porque uma dor insiste em nos acompanhar. Procuremos um lugar para ela, esconda-a em algum lugarzinho da sua mente ou coração, mas esqueçamo-la por um tempo. Vamos viver!





domingo, fevereiro 04, 2007

Sonhos despedaçados


"Quando seus sonhos se despedaçarem,
varra os pedaços e guarde-os.
Pontinhas de esperança podem ser
encontradas nas ruínas
de sonhos estilhaçados."
Cherry Hartman



Na vida adquirimos muitos sonhos. Alguns surgem durante a infância. Realizáveis ou não realizáveis, todos preenchem a nossa vida. Tanto que muitas vezes quando eles se tornam reais, passamos a sentir um vazio. Assim procuramos um outro sonho para ocupá-lo.

Mas a verdade é que ninguém tem apenas um sonho. Nosso ser é uma caixa de sonhos, os mais diversos possíveis. Simples ou não todos representam um pouquinho de nós. Alguns até parecem simples. Parecem. Pelo menos para outras pessoas sim. No entanto acabamos descobrindo que o que é singular para outro, para nós é de uma complexidade incrível. E isso nos mata, nos destrói, nos diminui e nos desistimula diante da vida.

O que fazer? Correr atrás, mesmo que a vida nos dê surras e mais surras ou aceitar a derrota e tentar encontrar consolo nos pequenos sonhos? E se o nosso sonho mais importante for a razão da nosso viver? Se os pequeninos sonhos não bastarem para nos fazer feliz?

Talvez deva fazer como no pensamento que abre o post, varrer os sonhos despedaçados e guardar as pontinhas. Alguma esperança se pode tirar delas. Será?

terça-feira, janeiro 30, 2007

Abraço

"É tão bom um abraço que a gente,

se pudesse, vivia abraçado."

(A.D)






domingo, janeiro 28, 2007

O outro lado do meu computador


Algumas muitas vezes olho para essa telinha e fico imaginando...
quem realmente estará do lado de lá?

Quero acreditar que é alguém,
que mesmo "virtual" é real,
(porque anjos não sabem teclar)

que se tocar meu coração o fará com cuidado
pra não me machucar,
porque posso ser sensível...
porque talvez eu possa vir a dizer
o que realmente penso ou sinto.
porque posso precisar desse alguém
talvez tanto ou mais do que ele precise de mim...
quem sabe até eu possa também ser alguém...
gente como quem está do outro lado!

Que não me deixe magoá-lo
E se isso acontecer algum dia,
Que eu fique sabendo
porque posso ter magoado sem querer!

Quero acreditar
que faço alguém feliz aqui...
Mas se por acaso nao acontecer assim,
não me ignore...
não me faça sentir pior do que talvez eu já me sinta
apenas tente que eu compreenda...

Se eu tiver erros, que me diga quais são
para que eu também possa dizer os seus...

Não me importa em que programa a gente se encontrou,
não me importa se você tem câmera,
se te vejo ou se te escuto...
não faz diferença como você é fisicamente,
nem a sua idade, nem seu estado civil,
só quero me sentir alguém especial para você
e fazer com que você se sinta sempre especial para mim!
(Texto de autoria desconhecida)



O post de hoje é dedicado aos meus amigos “virtuais”. Virtuais entre aspas porque alguns, ainda que não mantenha contato físico por causa da distância, são amigos que considero reais. Reais porque converso diariamente seja por MSN, por telefone e trocamos cartas freqüente ou esporadicamente. Reais porque são pessoas com quem troco idéias, divido problemas, vivemos momentos de alegria e de tristeza. Pessoas com quem reparto parte de minha vida. É a esses amigos, alguns mais antigos e outros mais recentes, que dedico esse post. Quero mostrar quão importantes eles são para mim.

Há muito tempo compartilho alegrias e tristezas, muito mais alegrias porque não sou de contar meus problemas e ficar me lamuriando. Prefiro, muitas vezes, guardar meus problemas. Até porque cada um tem a sua vida e tem seus próprios problemas. E não precisamos dividi-los com ninguém. Embora seja preciso de vez em quando desabafar. E aí os amigos verdadeiros aparecem e se revelam grandes amigos.

A todos os amigos, o meu carinho e o meu agradecimento por fazerem parte da minha vida “virtual”. São amigos que conheci durante a febre do surgimento dos blogs e que muitos permanecem até hoje, amigos que conheci através do site do Emilio Zagaia (Ex-BBB pelo qual fiquei fã), amigos estrangeiros e amigos do Orkut, principalmente aqueles que fazem parte da Comunidade Arte e Manhas da Língua, comunidade de professores de Português espalhados por esse país.

Amigos, adoro vocês, viu? Obrigada por tudo!


Um grande beijo!

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Tudo passa

O tempo não volta
Valeu, valeu enquanto durou...
mas o tudo enfim acabou, o tempo passou...
mas as lembranças, elas sim ficaram...
aquelas que desejamos sentir novamente mas não sentimos...
aquelas que gostaríamos que acontecesse novamente,
mas não acontecem... o tempo passou e a chance passou...
a chance que não demos à nós mesmos, tudo podia ser diferente,
mas o tudo não existe mais, e o tempo?
...este também passou!
Texto sem autoria encontrado em:


Sabe quando você de repente descobre que os melhores dias da nossa vida já passaram e você não aproveitou como devia? Infelizmente não pensamos no amanhã. Apenas vivemos e muitas vezes não aproveitamos ao máximo. E bem dizia o Renato Russo “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”.

Mas também não dá para ficar vivendo e imaginando que um dia tudo vai acabar. Assim não estaríamos usufruindo os momentos de felicidade. Viver é justamente essa sucessão de acontecimentos. Alguns que lembramos com saudade e outros que gostaríamos de esquecer. Mas o que nos dói mesmo é lembrar e perceber que tudo passou e você gostaria de viver tudo de novo, só para ter a oportunidade de fazer diferente. Fica então uma sensação estranha, um vazio no coração que necessita urgentemente ser preenchido. Pois assim a vida não tem graça nenhuma.

É dormir, acordar, “viver”, voltar a dormir e acordar novamente e a mesma sensação de sempre te acompanhando dia após dia. Resta-nos procurar um outro caminho para viver.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

ANTES QUE TERMINE O DIA



Hoje tive a felicidade e a grata surpresa de ver um dos mais belos e mais românticos filmes da minha vida! Um filme realmente inesquecível! É emoção do começo ao fim. Mas não é um romance piegas.

O filme conta a história de um casal que se ama. Enquanto ela procura demonstrar de todas as maneiras o seu amor, ele coloca em primeiro lugar o trabalho. Eles rompem e um acidente muda tudo. Ele tem então uma chance de mudar tudo e mostrar o seu amor por ela.

É preciso assistir para entender realmente do que é que estou falando. Talvez você já tenha visto, talvez não. Só sei que o filme vale muito a pena. E nem sei por que ainda não o tinha visto.

Fiquei pensando na lição que o filme nos passa. A verdade é que às vezes deixamos a vida nos levar e sempre achamos que teremos tempo para tudo. E assim não aproveitamos tudo que tem que ser aproveitado. Um belo dia tudo muda e ficamos com a horrível sensação de que deveríamos ter feito diferente. No entanto, é tarde demais.

Será? Não seria o momento de questionar isso? Se tem algo a dizer, se tem algo a mostrar para alguém, se ama por que não dizer agora? Se você não disser agora pode perder a chance de dizê-lo, pois como dizia aquela música “tudo muda o tempo todo no mundo”. E de repente tudo pode mudar na sua.




sábado, janeiro 20, 2007

Onde está?


Sabe aqueles dias em que nada parece te animar? Quando acordamos e nem temos vontade de levantar da cama porque simplesmente não há nada que te empolgue e te dê ânimo para viver mais um dia? Tenho vivido estes últimos dias só por viver mesmo. Acordo, levanto e vivo. Mas não é um VIVER em letras maiúsculas e sim aquele viver minúsculo e apagado.

Eu sei que viver é complicado e que nem sempre a vida é como a gente gostaria que fosse. Já tive bons momentos, maus momentos, bons momentos de novo e assim por diante. Eu diria que a gente nunca dá valor as coisas que tem. Esperamos que a felicidade bata a nossa porta, mas ela não vem para ficar não. Ela está sempre de passagem. Sempre rodando o mundo. Ela nos visita e achamos que dessa vez era para ficar. Que nada! Pura ilusão. Vai-se a felicidade e fica aquele vazio.

Bem que sempre me diziam, a felicidade está presente em pequenos momentos da nossa vida. Pequenos muitas vezes intensos e que deixam aquele ar de saudade. E ainda deixa aquela sensação de que não aproveitamos o suficiente, porque estávamos preocupados em esperar por mais. Ledo engano, a felicidade estava ali e eu nem percebi.

E agora estou aqui, mais uma vez esperando pela visita dela: a Dona Felicidade.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

HANNAH




SEJA BEM-VINDA!

Seja bem-vinda, nenê
que finalmente chegou
para trazer a harmonia
para a mamãe e o papai.

Que sejam lindos os seus sonhos
que sejam lindos os seus dias
de graças, de fantasia
e também de muito amor.


Que o mundo lhe sorria
e lhe dê felicidades
e à família que o recebe
neste momento de alegria.



Esse bebê chega trazendo emoção e felicidade,
misturando lágrimas com sorrisos.
Um bebê é uma bênção,
um encantamento,
uma realização.


Parabéns, mamãe Rosa!

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Derrotada


É. Fui derrotada. Vergonhosamente derrotada. Querem saber quem me derrotou? A pergunta não é QUEM mas O QUÊ? Simplesmente, uma barata. Esse ser asqueroso me derrotou. Dentre tantas outras situações, uma barata tem o poder de me tornar pequena. Ela me inibe, me diminui, me derruba mesmo.

A simples visão desse inseto é capaz de tirar todas as minhas forças. Sou capaz de enfrentar muita coisa nessa vida, até a um assalto já sobrevivi com mais altivez, com mais firmeza. Mas uma barata tem o poder de me tirar do sério. É como se ao olhar para ela, houvesse uma inversão de papéis. Ela cresce diante de mim, torna-se grande e eu me torna minúscula, diminuída pela presença dela.

Como explicar esse medo paralisante? Sei que não sou a única, mas me intriga saber quanto poder ela tem sobre mim. Por quê? Por que ao invés de ficar paralisada de medo, simplesmente não pego um chinelo e acabo de vez com a sua existência? É tão fácil destrui-la! Afinal eu tenho o tamanho como vantagem! Mas não, ela tem essa força extraordinária diante do meu ser.

Talvez os psicólogos saibam, ou não, explicar essa minha reação. Só sei que eu não sei e fiquei me perguntando por quê. Mas não encontrei respostas e desconfio que não as descobrirei.

terça-feira, janeiro 09, 2007

Sonhos e pessoas

"Ás vezes nós construimos grandes sonhos em cima de grandes pessoas, mas com o passar do tempo percebemos que grandes são apenas os sonhos e pequenas são as pessoas."
Recentemente ouvi esse pensamento, numa conversa com a minha irmã. Ela tinha lido ou ouvido em algum lugar, não lembro. Eu fiquei pensando nessa frase e em quanto ela continha de verdade.
Infelizmente, ou felizmente, essa frase traz uma verdade. Todos nós temos tendência a depositar no outro a realização de nossos sonhos. Por vezes, quando essas pessoas não correspondem aos nossos anseios, sentimo-nos frustrados e decepcionados. Alguns até caem em depressão.
Devemos levar em conta que cada pessoa é única. Cada ser possui seus próprios anseios, seus príoprios planos e nem sempre eles "batem" com o que objetivamos para nós mesmos. O que fazer então? Culpar o outro pela nossa decepção? Insistir em mudar os nossos planos ou mudar os do outro? Jogar a responsabilidade em cima daquela pessoa? Parece loucura, mas é o que acontece em muitos casos.
Tomemos como exemplo um relacionamento amoroso que não teve sucesso(nada a ver com a autora do post). A garota apaixonada se dedica por completo ao namorado. Constrói sonhos em cima dessa pessoa ou mesmo tenta incluí-los no relacionamento. Ela vive a vida dele. Não consegue sequer imaginar e nem pensar na vida sem ele. Mas, a não ser que seja um relacionamento fadado ao sucesso, um dia esse namoro pode acabar. A vida de "conto de fadas" pode tornar-se um "pesadelo" de uma hora para outra. Sejamos honestas, a maioria das mulheres tendem a derramar rios de lágrimas por conta disso. Nós mulheres, com a sensibilidade ao extremo, achamos que a vida não é mais a mesma. Sofremos horrores, passamos noites em claro pensando em cada momento ao lado dele e em como tudo era maravilhoso.
É aí que percebemos, tardiamente, que nossos sonhos não devem ser construídos em cima de outras pessoas. Podemos achar que aquele ou aquela pessoa é especial, mas um dia as máscaras podem cair e assim percebermos que ela não era aquilo que imaginávamos ser. Daí entra "grandes eram os sonhos e pequenas as pessoas".
Construímos nossos sonhos em cima de outros, mas eles acabam por nos mostrar que nem sempre são merecedores, ou seja, não eram "grandes" o suficiente para "adotar" nossos sonhos. Temos de recomeçar tudo. E o que poderia servir como lição acaba resultando em apenas outro relacionamento e aí depositamos (de novo) nossos desejos, objetivos. Enfim, nossos sonhos. E agora nos resta tentar novamente. E assim é a vida...

sábado, janeiro 06, 2007

LAMBUZE-SE

















Não coma a vida com garfo e faca.
Lambuze-se!
Muita gente guarda a vida para o futuro.
Mesmo que a vida esteja na geladeira,
se você não a viver, ela se deteriorará.
É por isso que tantas pessoas se sentem
emboloradas na meia-idade.
Elas guardam a vida,
não se entregam ao amor,
ao trabalho,
não ousaram,
não foram em frente.
Depois chega o momento em que se conscientizam:
"Puxa, passei fome para guardar essas batatas e elas apodreceram.
"Não deixe sua vida ficar muito séria.
Viva como se estivesse num jogo,
saboreie tudo o que conseguir,
as derrotase as vitórias,
a força do amanhecere a poesia do anoitecer.

Roberto Shinyashiki


sexta-feira, janeiro 05, 2007

A ARTE DE SER FELIZ

Houve um tempo em que minha janela
se abria sobre uma cidade
que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia
um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem,
de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs
vinha um pobre com um balde e,
em silêncio, ia atirando com a mão
umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega:
era uma espécie de aspersão ritual,
para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas,
para o homem, para as gotas de água
que caíam de seus dedos magros
e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela
e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crinças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos,
sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas,
como refelectidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem
personagens de Lope de Vega.
Às vezes um galo canta.
Às vezes um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar,
cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo
dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela,
uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas,
e outros, finalmente,
que é preciso aprender a olhar,
para poder vê-las assim.

Cecília Meireles