quarta-feira, novembro 20, 2013

O que fazer?

O que é que se faz com 
aquilo que se sonhou e não viveu?
Põe numa sacola 
e finge que esqueceu?

Clécia Melo

domingo, outubro 27, 2013

Transformando dias cinzentos em dias ensolarados

Quando você se observar, à beira do desânimo, acelere o passo para frente, proibindo-se parar.
Ore, pedindo a Deus mais luz para vencer as sombras.
Faça algo de bom, além do cansaço em que se veja.
Leia uma página edificante, que lhe auxilie o raciocínio na mudança construtiva de ideias.
Tente contato de pessoas, cuja conversação lhe melhore o clima espiritual.
Procure um ambiente, no qual lhe seja possível ouvir palavras e instruções que lhe enobreçam os pensamentos.
Preste um favor, especialmente aquele favor que você esteja adiando.
Visite um enfermo, buscando reconforto naqueles que atravessam dificuldades maiores que as suas.
Atenda às tarefas imediatas que esperam por você e que lhe impeçam qualquer demora nas nuvens do desalento.
Guarde a convicção de que todos estamos caminhando para adiante, através de problemas e lutas, na aquisição de experiência, e de que a vida concorda com as pausas de "refazimento" das nossas forças, mas não se acomoda com a inércia em momento algum.
[André Luiz]

Precisando deixar o desânimo de lado e acreditar que dias melhores virão. O ser humano é um eterno insatisfeito mesmo e está sempre à procura de alguma coisa. Muitas vezes acreditamos ser isto ou aquilo e no final percebemos que não é bem por aí. Quando alcançamos o isto ou aquilo, alegria vem, mas logo percebemos que o vazio se instala e precisamos substituir este "buraco". É como se a vida quisesse nos mostrar que não devemos parar nunca. Devemos estar sempre trabalhando em prol de alguma coisa. A vida nos mostra sempre que sua composição é feita de alegrias e de tristezas. A felicidade vem em momentos, mas não se acomode que logo ela vai te mostrar que a balança vai pender para o outro lado. É o momento das nuvens cinzentas. Elas sempre aparecerão. Não se esqueça disso. O que fazer então? Trabalhar em busca de preencher o vazio.  Infelizmente o baixo-astral parece durar mais do que aqueles dias ensolarados. São aqueles dias que não temos nem vontade de levantar da cama. Vontade de dormir e não mais acordar só para não ter de enfrentar a realidade dos dias nus. Mas o que sabemos é que as alegrias mesmo sendo breves são renovadoras. Elas têm a capacidade de nos lançar para frente. Capacidade de nos fazer querer ir adiante e enxergar  uma luz no fim do túnel. Que tal vermos a vida por outro ângulo? Que tal procurar um caminho alternativo? Que tal se colocar no lugar do outro? Se não está bom para nós, com certeza perceberemos que há nuvens muito mais cinzentas pairando sobre a cabeça do outro. Falando assim parece que é fácil, não? É assim tão fácil para mim? Não. Não é mesmo. Mas eu tento ou pelo menos tenho tentado. Acredite. Não sou baixo-astral, sou realista. Tento atravessar os dias sombrios. Tento pensar que amanhã vai ser outro dia e que Deus vai me recompensar. É o que estou sempre fazendo. E sei que não sou a única. Cada um tem seus motivos. Uns mais, outros menos e haverá quem diga que não é bem assim. Mas vou continuar tentando fazer com que a balança da minha vida penda mais para o lado da alegria. Se não der, que eu possa ao menos enxergar um ponto de luz em meio à escuridão. Aos meus leitores digo: vamos tentar juntos? 

Cléci@ Melo
27/10/2013

Felicidade se acha é em horinhas de descuido. 
[Guimarães Rosa]

sábado, outubro 12, 2013

Brincadeira de Criança

Mais uma vez é Dia das Crianças e minha postagem hoje é uma reflexão sobre a perda precoce da infância.

Não deixemos morrer a criança que existe em cada um de nós. Fico triste quando vejo crianças com pressa de crescer. Crianças ainda que mal deixaram as fraldas e já pensam em namoricos. Crianças que não curtem a melhor fase da vida. São meninos e meninas que "crescem" depressa demais. Não curtem as brincadeiras saudáveis dessa fase. Ouvem músicas inapropriadas e dançam esses ritmos inadequados para essa faixa etária. Começam a se pintar precocemente e vestem roupas de adultos em miniatura. E o pior de tudo é que muitos pais acham bonito e nada fazem para impedir que se erotizem antes do tempo. Se elas bem soubessem, fariam como Peter Pan. Nunca deixariam de ser menino ou menina. Eu sempre fico saudosa neste dia, pois tive uma infância muito feliz. Não tinha tudo, mas o que tinha me bastava. Eu, minhas irmãs, meus primos e meus amiguinhos da rua nos divertíamos muito. Tínhamos liberdade para brincar na "rua" e não havia toda essa violência que impedem as crianças de brincarem livremente. Paro e reflito: a criança de hoje sabe o que é ser criança de verdade?

Termino este post relembrando as brincadeiras saudáveis de antes e que hoje tem se tornado cada vez menos frequentes. 















domingo, setembro 22, 2013

Bem vinda seja, Primavera!

Assim como a primavera é muito amada pelas árvores, pássaros e peixes... Você não conhece sua primavera espiritual íntima. Ela ainda não veio, você ainda não a convidou. A primavera exterior vem e vai, vem e vai, mas a primavera interior só vem e nunca vai. É uma primavera eterna. Suas flores são flores da eternidade.

Uma vez iluminado você fica para sempre iluminado. Não há nenhum modo de voltar atrás. Quão mais esplendorosa e quão mais milagrosa será a primavera interior! Mesmo a exterior é tão grande; a interior não é apenas quantitativamente grande, ela é também qualitativamente grande.
A busca da verdade é a busca da primavera interior.

[Osho]
Sempre que a Primavera chega, eu me encanto, pois parece que ela tem, pelo menos para mim, a capacidade de renovar as minhas esperanças. Talvez seja bobagem, mas é como se um ciclo se fechasse e abrisse um novo. As cores desta estação me fascinam, pois adoro flores, adoro o clima mais ameno, nem frio nem tão quente. E como sempre faço, uma nova postagem no blog marca mais uma Primavera na minha vida. Não a primavera do aniversário, mas a primavera de mais uma fase da minha humilde existência. Que ela me traga esperança de dias melhores e de mais cores para esta minha vida que anda bastante apagadinha.

segunda-feira, setembro 02, 2013

Setembro chegou

E o ano está correndo. Parece que foi ontem que 2013 chegou, mas ele não para. E cá estamos em Setembro de novo! Considero como o mês mais bonito do ano. Não sei por que, mas creio que seja porque ao final dele vem a Primavera. Esta sim a mais linda de todas as estações. Sempre que se fala em Setembro, lembro logo da belíssima música do Beto Guedes "Sol de Primavera". Ainda não estamos na estação das flores, mas esta canção ilustra bem o chegar deste mês sempre bem vindo! Quando entrar Setembro...




Quando entrar setembro
E a boa nova andar nos campos
Quero ver brotar o perdão
Onde a gente plantou
Juntos outra vez

Já sonhamos juntos
Semeando as canções no vento
Quero ver crescer nossa voz
No que falta sonhar

Já choramos muito
Muitos se perderam no caminho
Mesmo assim não custa inventar
Uma nova canção
[...]

[Beto Guedes]


domingo, julho 21, 2013

Vai e vem

 
Minha cabeça é um mar cheio de ondas, 
umas vêm e me derrubam, 
outras vão e me levam.

[Clai Mont]

segunda-feira, junho 17, 2013

Seda



"_ Nunca mais ouvi nem ao menos sua voz.
E pouco depois:
_ É uma dor estranha.
Devagar.
_ Morrer de saudade de algo que nunca voltará."


Do livro Seda de Alessandro Baricco

Excelente livro! Cada capítulo parece uma estrofe poética!

quarta-feira, junho 12, 2013

Os casais mais marcantes da Literatura

LITERATURA MUNDIAL

Jane Eyre & Mr. Rochester
Jane Eyre [Charlotte Brontë]

Catherine & Heathcliff
O Morro dos Ventos Uivantes [Emily Brontë]

Elizabeth & Mr. Darcy
Orgulho e Preconceito [Jane Austen]

Romeu & Julieta
Romeu e Julieta [William Shakespeare]

Tristão & Isolda
Tristão e Isolda [Lenda Celta Medieval]

Anna Karenina &  Vronsky
Anna Karenina   [Leo Tolstoy]


Scarlet O'Hara & Reth Butler
E o vento levou...[Margaret Mitchel]

Marguerite Gautier & Armando Duval
  
A Dama das Camélias [Alexandre Dumas Filho]

Dolores & Humbert
Lolita [Vladimir Nabokov]

Abelard & Heloise
 Correspondências de Abelardo e Heloísa


LITERATURA BRASILEIRA

Capitu & Bentinho
Dom Casmurro [Machado de Assis] 

Manuela & Garibaldi

A Casa das Sete Mulheres [Letícia Wierzchowki]
Riobaldo & Diadorim
Grande Sertão: Veredas [Guimarães Rosa]
Aurélia & Fernando Seixas
Senhora [José de Alencar]




Amar

 Esquecimento

Amar, nunca me coube
Mas sempre transbordou
O rio de lembranças
Que um dia me afogou

E nesta correnteza
Fiquei a navegar
Embora, com certeza,
Não possa me salvar

Amar nunca me trouxe
Completo esquecimento
Mas antes me somou
Ao antigo tormento

E assim, cada vez mais,
Me prendo neste nó
E cada grito meu
Parece ser maior

[Raimundo Fagner]


domingo, junho 09, 2013

Eterna busca

Que eu nunca me esqueça!

É claro que não podemos ter tudo, assim como é óbvio que nunca estamos totalmente satisfeitos com isso. Somos humanos e é inerente a nós que estejamos sempre em busca de algo. E por mais que algo desejado seja realizado, logo estaremos à procura de outro desejo. Porque a vida é uma eterna busca. Quando se conquista um desejo, um sonho ou seja lá que nome tenha a nossa procura, logo veremos que não é o suficiente. O ser humano precisa de sonhos. Precisa sempre estar correndo atrás de um objetivo, pois só assim a vida tem sentido. Quantas vezes sonhamos tanto com alguma coisa e quando a conquistamos, vemos que o prazer é momentâneo. A duração pode variar, mas logo nos sentiremos desanimados de novo. E para preencher o vazio que nos toma, carecemos de outro objetivo, outro sonho. 

Mas por que somos assim? Por que nunca estamos satisfeitos? Já parou para pensar nessa questão? Eu já! Pensei e concluí que se não ficamos satisfeitos é porque essa busca não é o que precisamos de verdade. Não é o que vai nos fazer verdadeiramente feliz! Tendemos a achar que vamos ser mais feliz se alcançarmos X, Y ou Z. No entanto quando chegamos ao final da estrada daquilo que buscamos, vamos nos alegrar, vamos nos inebriar e curtir até que percebamos um vazio. E aí vem as perguntas: "E então? O que vou buscar agora? O que vou fazer da minha vida? Com o que vou preencher meus dias? Eu preciso de outra coisa. Não é isso que eu busco. Não é isto que vai preencher meu vazio."

Tendemos a achar que somos infelizes porque não temos isto ou aquilo. Quantas vezes não pensamos "Ah se eu tivesse...Ah se eu pudesse...Ah se fosse assim....Quando eu tiver isso...Quando eu for isso..." Quantas? Inúmeras! Mas se pararmos para analisar a nossa vida de verdade e compararmos com outras tantas vidas por esse mundo afora ou mesmo com àquelas que vivem ao nosso redor, constataremos que o nosso fardo não é tão pesado assim. Sempre haverá alguém carregando uma cruz mais pesada que a nossa. 

Essas são as minhas conclusões, mas acredito que não sou a única a pensar assim. O mundo está cheio de pessoas em busca de preencher vazios. 

Somos humanos...

Clécia Melo


domingo, abril 14, 2013

Equilíbrio

O que hoje você poderia pedir 
que Deus modificasse em você?
Qual é a arte que Deus 
poderia fazer em você hoje?
Nós, muitas vezes, somos como uma pedra,
um mármore que precisa ser talhado.
Hoje o Senhor está aqui e quer nos atingir,
quer tirar de nós todos os "excessos", 
todas as "arestas"que fazem com que nos esbarremos sem alcançar
aquilo de que precisamos.
[Pe Fábio de Melo]

Acredito que crescemos com o sofrimento e estamos sempre aptos a superar as dificuldades e a melhorar nosso eu. Às vezes a vida nos passa uma rasteira e nosso coração tende a querer endurecer, mas a verdade é que não devemos deixar que o desânimo nos abale e nos corte as asas, pois somos feitos para sonhar e acreditar que podemos ser felizes. Não queiramos que haja perfeição em nossa vida, pois ela não será enquanto estivermos presos neste plano. Afinal o que é a vida senão o equilíbrio entre alegria e tristeza? É o balanço de dias bons, dias mais ou menos e dias ruins que farão com que cresçamos. O corpo é provisório, mas a alma é eterna. Desperdiçamos cada dia que não procuramos melhorar algo em nós. Estamos aqui para nos aperfeiçoarmos. Peçamos a Deus ombros mais fortes para carregar nossas dores.

Bom domingo a todos!

domingo, março 31, 2013

Feliz Páscoa!

 
O que é Páscoa:

É quando no sepulcro do nosso coração,
alguém descobre um fio de vida,
e ao puxar esse fio,
vai fazendo com que a gente se torne melhor.
Isso é Páscoa!
Isso é Ressurreição!

[Pe. Fábio de Melo]

quarta-feira, março 20, 2013

Canção de Outono

Canção de Outono
Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.

De que serviu tecer flores
pelas areias do chão,
se havia gente dormindo
sobre o própro coração?

E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.

Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando àqueles
que não se levantarão...

Tu és a folha de outono
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.

Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...

[Cecília Meireles]


Procurando um poema para postar sobre a chegada da nova estação. Encontrei este belíssimo poema da Cecília Meireles. Não me canso de me admirar com os versos sempre maravilhosos desta autora. Não conhecia este e fiquei encantada. Tão bom terminar o dia descobrindo um novo poema! E ainda descobrir o mesmo poema declamado. Posto aqui para que vocês ouçam. As fotos, que acompanham o post, foram enviadas pelo meu amigo croata Mislav Popovic.


terça-feira, março 19, 2013

Rumo incerto

O que fazer quando você percebe que a vida está seguindo um rumo que não é bem o que você planejou?
  • Parar, olhar pra trás e verificar se dar pra voltar.
  • Parar, pensar e lamentar o que deixou de fazer.
  • Parar, refletir e ver se dar para mudar de rumo.
  • Não parar, seguir em frente porque agora é tarde demais.
  • Todas as alternativas anteriores.


domingo, março 17, 2013

Parabéns, Aracaju!

 À Aracaju de ontem e hoje

Aracaju, minha querida cidade
Aqui nasci e me criei
És terra de grande encanto
E quem ousa te deixar
sofre imensa saudade.

Não és, no entanto, cidade perfeita
Pois apesar de sua pequenez
E de sua anterior calmaria
O progresso chegou de vez
Mas continuas sendo mesmo assim, do meu coração, a eleita.
 
A quietude da minha infância
E seu ar de interior
perdeu-se com a modernidade
Chegou aqui o progresso
E roubou-te a inocência.
 
 Ah, minha Aracaju!
Quem te vive
Te ama
e não te abandona jamais.

[Clécia Melo]

Não costumo me arriscar a escrever poemas, pois dolorosamente não sou poeta. E apesar de amar as letras e me emocionar com versos escritos por quem nasceu com o dom de escrevê-los, não faço poesia com a facilidade e o encanto com os quais os leio. 

No entanto, volta e meia (equivalente a volta ao mundo) eu me arrisco timidamente a escrever alguns versos de aprendiz. Hoje, depois de tanta volta, decidi compor um singelo poema em homenagem à cidade na qual nasci e continuo a viver. Desculpem-me a simplicidade, mas é de coração.

quinta-feira, março 14, 2013

E viva a Poesia!

Bem no fundo

No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto

a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais

mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos
saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.

[Paulo Leminski]

Como viver em um mundo sem poesia? É possível? Eu particularmente não consigo imaginar. Poesia é vida! Minha vida está tão corrida que acabei me passando e esqueci que hoje é o Dia Nacional da Poesia! Assim que descobri, procurei um poema para postar no Facebook, mas foi uma tarefa dificílima, pois são inúmeros poemas belíssimos dos mais diversos poetas. Acabei postando meus preferidos de cada autor. Infelizmente não postei mais porque seria uma overdose de poemas na minha página. Não que eu ache ruim, mas os amigos poderiam reclamar. (será?) Aqui postei, não o meu favorito, mas um que ainda não postei no blog. Não queria ser repetitiva. 

Meu conselho para quem ainda não descobriu o prazer de ler um poema: leia. Descubra a poesia que há em você! Nessa vida tantas vezes difícil, a poesia abre espaço para a emoção. Dê lugar à sensibilidade. Deguste sempre pelo menos um poema por dia.


quinta-feira, março 07, 2013

Nada a falar, tudo a dizer

“Me encantei.A culpa é minha. Minha e das minhas expectativas.
Minha e das minhas lamentáveis escolhas.
Minha e do meu coração lerdo. Minha e da minha imaginação pra lá de maluca.
Então, com licença, deixe eu e minha culpa em paz.
Eu e meu delicioso perdão por mim mesma.
Eu só te peço uma coisa. Para de culpar a vida. Pare de ter pena de você.
Se assuma. Se aceite. Se culpe. Se estrepe. Se mate.
Mas se perdoe.
Pelo amor de Deus, se perdoe.
Somos todos culpados, se quisermos.
Somos todos felizes, se deixarmos.”

[Fernanda Mello]

domingo, fevereiro 24, 2013

O amor

"É que o amor é essencialmente perecível, e na hora em que nasce começa a morrer. Só os começos são bons. Há então um delírio, um entusiasmo, um bocadinho do céu. Mas depois! Seria pois necessário estar sempre a começar, para poder sempre sentir?"

[Eça de Queirós - O Primo Basílio]

Seria mesmo o amor perecível? O arrebatamento inicial existe e é bem verdade que ele acaba morrendo aos poucos. Mas não seria essa a descrição da paixão? O amor vive, não morre jamais. A paixão existe para preencher vazios e precisa ser alimentada para não perecer. Já o amor existe por si só. Este não carece de alimento. É capaz de ultrapassar todas as barreiras até mesmo a morte.

quarta-feira, fevereiro 20, 2013

O tempo cura

O Tempo Seca o Amor  

O tempo seca a beleza,
seca o amor, seca as palavras.
Deixa tudo solto, leve,
desunido para sempre
como as areias nas águas.

O tempo seca a saudade,
seca as lembranças e as lágrimas.
Deixa algum retrato, apenas,
vagando seco e vazio
como estas conchas das praias.

O tempo seca o desejo
e suas velhas batalhas.
Seca o frágil arabesco,
vestígio do musgo humano,
na densa turfa mortuária.

Esperarei pelo tempo
com suas conquistas áridas.
Esperarei que te seque,
não na terra, Amor-Perfeito,
num tempo depois das almas.

Cecília Meireles, in 'Retrato Natural'

Amo a Cecília Meireles! E hoje o belíssimo poema "O tempo seca o amor" é o meu poema da dose diária de poesia que tomo todos os dias. Só lembrando o Johann Goethe:

"Devemos ouvir pelo menos uma pequena canção todos os dias, ler um bom poema, ver uma pintura de qualidade e, se possível, dizer algumas palavras sensatas." [Goethe]

O tempo realmente cura tudo? Se não tudo, mas quase sempre tudo. Se algo te machuca hoje o tempo pode ser a cura ou até mesmo o paliativo. A dor que te corrói pode amenizar com o passar do tempo. Ela pode deixar uma ferida, uma cicatriz, mas pode também curar-se. Claro que nem sempre se consegue a cura total. Às vezes a lembrança daquela dor teima, insiste em aparecer, mas com certeza não vai doer como antes. E se ela der o ar da graça, não deixe que se instale. Mude o pensamento. A resposta da vida é o tempo! Quando algo me machuca, deixo doer, deixo as lágrimas caírem até secarem e eu sentir que aquele machucado já não me dói tanto e eu vejo que o céu já não está mais cinzento. E aí eu arrisco um sorriso mesmo sabendo que outras dores virão e terei de passar por tudo novamente. Não é pessimismo é a essência da vida! O sorriso e a lágrima vão sempre fazer parte da minha, da sua, da nossa vida.




quarta-feira, fevereiro 13, 2013

...

nada é mais eloquente
e perturbador que o silêncio

e, no entanto,
nenhum outro ruído é tão inquietante
como aquele que sobra das palavras que se não dizem.

[Júlio Montenegro]